O curso de Biologia Marinha faz brilhar os olhos de muitas pessoas. A possibilidade de trabalhar em ambientes naturais, o contato com uma grande diversidade de seres vivos aquáticos e o crescimento da área nos últimos anos são os principais atrativos da profissão.

Ultimamente, a área de Biologia Marinha vem ganhando mais importância devido aos diversos impactos ambientais de causas antrópicas, que afetam os ecossistemas aquáticos. Entre eles, podemos citar a poluição dos oceanos por plásticos, esgoto doméstico e outros resíduos, os derramamentos de petróleo em alto-mar, a contaminação de rios por rejeitos de mineração e muitos outros. O profissional especializado nessa área está capacitado para agir de forma eficiente nessas situações.

Tem vontade de ser um biólogo marinho, mas tem dúvidas sobre essa profissão? Quer saber mais sobre isso? Então, continue lendo este post e entenda mais sobre o curso de Biologia Marinha, o mercado de trabalho e as possibilidades de atuação. Vamos nessa?

O que é Biologia Marinha?

A Biologia Marinha se dedica ao estudo dos ecossistemas de água salgada. Entre esses ambientes estão incluídos não apenas os oceanos e os mares — que primeiramente vem a nossa mente — mas também mangues, costões, recifes, estuários, atóis e muitos outros lugares onde podem ser encontrada a vida.

O Biólogo Marinho, portanto, estuda os ecossistemas de água salgada, os seres vivos que lá habitam e, principalmente, as relações entre eles e o ambiente. Esse estudo pode ser marcado por grandes descobertas: basta lembrar que cerca de 70% da superfície do nosso planeta é coberta por oceanos.

Assim, a biodiversidade dos organismos marinhos é muito alta e a cada dia os pesquisadores descobrem espécies que ainda eram desconhecidas pela ciência. Vale ressaltar que embora a diversidade nesses biomas seja muito grande, ela é pouco conhecida em relação aos seres vivos terrestres.

A Biologia Marinha busca compreender os seres vivos que habitam os ambientes marinhos, o ciclo de vida deles, o equilíbrio das populações e as relações ecológicas existente entre os organismos marinhos.

Nesse estudo, o biólogo marinho passa a conhecer mais sobre diversas formas de vida: plânctons, fitoplânctons, algas, peixes, invertebrados marinhos (como camarão, lagosta, polvo, corais e estrela do mar), mamíferos marinhos (como golfinho, foca, leão marinho e baleia) e muitos outros.

A Biologia Marinha se relaciona com outras áreas de estudo, como a Oceanografia, área da ciência que estuda os ambientes aquáticos, com o foco nos seus processos físicos, químicos e geológicos. A Biologia Marinha também está relacionada com a Ciências Biológicas, área que estuda os seres vivos e os fenômenos que caracterizam a vida, como reprodução, desenvolvimento e evolução.

Curso de Biologia Marinha

Uma dúvida muito comum dos estudantes sobre o curso de Biologia Marinha é a seguinte: preciso formar primeiro em Ciência Biológicas ou posso cursar Biologia Marinha especificamente?

A Biologia Marinha é, tradicionalmente, considerada como uma área de especialização das Ciências Biológicas. Assim, o estudante se forma em Ciências Biológicas e, posteriormente, faz a pós-graduação em voltada para essa área. No entanto, devido ao crescimento da demanda por esse profissional específico, têm surgido alguns cursos de graduação em Biologia Marinha, principalmente, na região Sul e Sudeste.

Dessa forma, o estudante que tem interesse nessa área pode seguir os dois caminhos, dependendo de qual faculdade ele opta por fazer:

  • graduação em Ciências Biológicas + pós-graduação em Biologia Marinha;
  • graduação em Biologia Marinha.

Poucas faculdades oferecem o curso de Biologia Marinha, entre eles podemos citar a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Ambas ministram aulas presenciais, ou seja, o aluno deve morar na cidade que as ofertam. Nesse caso, no Rio de Janeiro ou em Florianópolis, que são áreas litorâneas.

Isso pode ser um dificultador para muitos estudantes, pois é uma graduação que exige mudar de cidade. Há essa necessidade pois, geralmente, o curso está disponível apenas em municípios litorâneos, devido à exigência de atividades práticas, e soma-se a isso o fato de sua oferta ainda ser pequena no país.

A UFRJ tem o curso mais antigo nessa área, criado em 1986, e com um ótima conceituação. O curso tem duração de 4 anos e seu objetivo é que ao final da graduação o aluno conheça a estrutura e dinâmica dos oceanos, além de compreender a ecologia marinha e seus ecossistemas.

O curso oferecido pela UDESC é a graduação em Ciências Biológicas com ênfase em Biologia Marinha, e o período de entrada ocorre apenas no 2º semestre, via vestibular de inverno/Sistema de Seleção Unificado (Sisu). São abertas 20 vagas em regime de estudo integral.

Quanto ganha um biólogo marinho?

Como vimos, para ser um profissional dessa área há a possibilidade de cursar Biologia Marinha ou Ciências Biológicas seguida de especialização. Para quem opta por cursar Ciências Biológicas e especialização, o salário médio nacional do biólogo é R$2600,00, de acordo com o Guia de Profissão e Salários do site Catho.

De maneira geral, como em outras áreas, o profissional recém-formado inicia a carreira com o salário mais baixo e vai progressivamente melhorando a sua remuneração.

Os biólogos e os biólogos marinhos têm a profissão regulamentada desde 1979, pela lei 6.684, porém não há um piso salarial para a profissão. O Conselho Federal de Biologia (CFBio), que também regulamenta a atividade, recomenda um salário compatível com outras profissões de nível superior.

Assim, a sugestão do CFBio é de um salário de R$4.728,00 para uma carga horária de 30 horas semanais é de R$6.698,00 para uma carga horária de 40 horas semanais. Vale salientar que como se trata de uma recomendação, não há obrigatoriedade e nem força de lei. Além disso, para exercer a profissão é preciso estar cadastrado no Conselho Regional de Biologia (CRBio).

A remuneração recebida pelo biólogo marinho também pode variar em função de alguns fatores, como qualificação profissional, cargo ocupado, região do país e tipo de empresa.

Por exemplo, investir em qualificação profissional, prosseguindo com os estudos no mestrado ou no doutorado permitem melhorar a remuneração mensal. Além disso, isso abre portas para o biólogo marinho ocupar cargos que exigem esse tipo de formação.

Atuando no serviço público, como para a Marinha Brasileira e Petrobrás, o biólogo marinho consegue uma remuneração melhor do que a exercida habitualmente pelo mercado de trabalho. A Petrobrás, por exemplo, necessita do serviço desse profissional para emissão de relatórios para novas áreas de exploração de petróleo e para manutenção das áreas já existentes. A remuneração inicial pode ser de R$6.000.

Os concursos públicos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) também são bastante concorridos por biólogos e biólogos marinhos e oferece salários de cerca de R$7.000,00.

O ICMBio é um órgão da administração pública vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, que tem como objetivo proteger o patrimônio natural e promover o desenvolvimento socioambiental. Na prática, o órgão é responsável pela elaboração e execução de projetos de pesquisa, proteção, preservação e conservação da biodiversidade brasileira, incluindo a marinha.

Faculdade de Biologia Marinha

As instituições de ensino podem ofertar o curso de Biologia Marinha ou o curso de Ciências Biológicas com ênfase em Biologia Marinha.

No primeiro caso, o curso como um todo é voltado para essa área específica. No segundo, a grade curricular tem disciplinas regulares da Biologia e disciplinas específicas da ênfase ou habilitação escolhida. A duração do curso de Biologia Marinha geralmente é de 4 anos.

Uma terceira possibilidade, mas que requer um tempo maior de estudo, é se graduar em Ciências biológicas e, posteriormente, fazer uma pós-graduação em Biologia Marinha. A graduação em Ciências Biológicas tem duração de cerca de 4 anos e meio ou 5 anos, dependendo da instituição, e a pós-graduação geralmente tem duração de 2 anos, totalizando 6 anos de estudo.

Embora esse seja um percurso mais longo, ele é a escolha de muitos estudantes devido a maior oferta da graduação em Ciências Biológicas no país do que de Biologia Marinha.

Os principais cursos de Biologia Marinha do Brasil são os seguintes:

  • Biologia marinha (UFRJ);
  • Ciências Biológicas – Biologia Marinha e Costeira (UFRGS);
  • Ciências Biológicas – Biologia Marinha e Gerenciamento Costeiro (UNESP);
  • Ciências Biológicas – Bacharel em Biologia Marinha (UFF).

Biologia Marinha: grade curricular

A grade curricular de Biologia Marinha pode ser cumprida de forma regular em 4 anos, ou 8 períodos. Ela pode ser dividida em duas etapas: ciclo básico e ciclo específico de Biologia Marinha. Essa é a organização adotada por um dos cursos mais tradicionais dessa área no país, ofertado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

No ciclo básico, como o próprio nome indica, o aluno terá contato com disciplinas introdutórias das Ciências Biológicas. Ele constitui uma base teórica e prática para que o aluno tenha condições de compreender as disciplinas do ciclo seguinte.

As disciplinas do curso de Biologia Marinha variam de acordo com grade curricular elaborada por cada universidade. Porém, geralmente, você pode encontrar as seguintes disciplinas no ciclo básico deste curso:

No ciclo para o estudo da Biologia Marinha, o aluno passa a ter contato com disciplinas voltados para o conhecimento do ecossistema marinho e metodologias de trabalho prático. Essa é uma etapa que pode ser bastante estimulante para os estudantes e que requer bastante dedicação e esforço.

No ciclo específico da Biologia Marinha, podem ser encontradas, de forma geral, as seguintes disciplinas:

  • Técnicas de trabalho no mar;
  • Técnicas de Biologia Marinha;
  • Ecossistemas marinhos;
  • Fitoplâncton marinho;
  • Zooplâncton marinho;
  • Aves marinhas;
  • Mamíferos marinhos;
  • Biodiversidade e conservação de ambientes marinhos e costeiros;
  • Poluição costeira e marinha;
  • Legislação ambiental;
  • Bentos;
  • Microbiologia aquática;
  • Limnologia;
  • Ecologia de comunidades;
  • Estágio supervisionado em biologia marinha;
  • Trabalho de conclusão de curso (TCC).

Além das disciplinas regulares do curso e do estágio supervisionado previsto pela grade curricular, é importante que o aluno faça estágios desde o início da graduação.

Os estágios são muito importantes, pois colocam os alunos em contato direto com as atividades da profissão e contribuem para o aprendizado prático. Além disso, essa atividade pode ser a porta de entrada para o mercado de trabalho para muitos estudantes. Não é uma situação incomum as empresas contratarem seus estagiários quando eles se formam.

Nota de corte: Biologia Marinha

O curso de Biologia Marinha não é ofertado de forma ampla pelas instituições de ensino no país, dessa forma, poucas universidades têm essa graduação. Assim, escolher a mais adequada para fazer o curso pode ser o primeiro desafio do estudante interessado nessa profissão.

Hoje, a principal forma de acesso à Universidade Pública é via Sistema de Seleção Unificado (Sisu), do Ministério da Educação, que utiliza a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).

A pontuação obtida no ENEM também pode ser utilizada para conseguir uma bolsa de estudo pelo Prouni (Programa Universidade para Todos), que pode chegar até 100%. A nota do ENEM também pode ser utilizada pelas instituições privadas para financiamento da graduação pelo Fies (Fundo de Financiamento Estudantil)

No entanto, há várias universidades que não utilizam as notas do ENEM como parte do seu processo seletivo e, assim, cada instituição define as suas próprias notas. Um exemplo é o vestibular da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que não aderiu ao ENEM.

Na Unesp, o processo de seleção acontece em duas etapas, sendo a primeira uma prova única com questões objetivas de conhecimento geral e a segunda voltada para questões discursivas. Portanto, a nota de corte da Unesp corresponde ao número mínimo de acertos para se classificar para a segunda etapa.

Em 2018, a nota de corte da Unesp para Ciências Biológicas com ênfase em Biologia Marinha e Gerenciamento Costeiro, ofertada no litoral paulista, foi de 32 acertos, considerado uma das menores notas de corte da instituição.

Já na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o processo seletivo é por meio do Sisu, assim, os estudantes devem ficar de olho na nota de corte da UFRJ. Em 2018, o curso de Ciências Biológicas com habilitação em Biologia Marinha da UFRJ teve como menor nota de corte 528 e a maior foi de 733,67.

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) utiliza os dois métodos de entrada: o vestibular tradicional organizado pela própria instituição e o Sisu com uso da nota do ENEM. Em 2018, o curso de Ciências Biológicas com ênfase em Biologia Marinha e Costeira teve a menor nota de corte de pelo Sisu de 591,63 e a maior nota de corte foi de 703,66, no acesso universal.

A Univille, localizada na cidade de São Francisco do Sul, em Santa Catarina também tem o curso de Biologia Marinha, que tem conceito máximo pela classificação do INEP. Embora seja uma instituição privada, é possível conseguir bolsa de estudo pelo Prouni e descontos. Em 2018, para conseguir uma bolsa na instituição a nota de corte foi de 594,32.

tartaruga

O que faz um biólogo marinho?

A atuação do biólogo marinho pode variar bastante em função da empresa em que se trabalha e da área de atuação escolhida por ele.

É muito comum também que o biólogo marinho siga carreira acadêmica, ou seja, prossiga os seus estudos no mestrado e doutorado, realizando pesquisas na sua área.

Por exemplo, umas das áreas de estudo do biólogo marinho é a pesquisa sobre o ciclo de vida de espécies, identificando como eles são afetados pelas correntes oceânicas, zonas marinhas e outros fatores. Os estudos em biologia marinha atualmente são mais viáveis devido ao desenvolvimento de tecnologias, como GPS e equipamentos específicos da biologia marinha, que auxiliam nas pesquisas.

Outra opção para o biólogo marinho é atuar como consultor de pesca em empresas públicas e privadas. Seu papel é orientar a pesca, considerando o ciclo reprodutivo de peixes e outros animais, de forma que a exploração desse recurso seja feita de forma sustentável e equilibrada. A consultoria em diversas áreas da Biologia Marinha é uma atuação muito comum desse profissional.

Nesse sentido, o biólogo marinho pode trabalhar também com aquicultura, ciência que estuda a criação de peixes, crustáceos, mariscos e outros organismos do mar. Assim, ele pode auxiliar na melhora da produtividade, considerando também a conservação desse ambiente.

Empresas que exploram petróleo, gás natural e outros recursos naturais do solo oceânico também oferecem vagas para o biólogo marinho. Empresas como a Petrobras oferecem uma boa remuneração e um bom plano de carreira para essa profissão.

Uma área muito procurada pelos biólogos marinhos é a educação ambiental e atuação em áreas de proteção ambiental. Esses profissionais atuam diretamente na conservação dos recursos marinhos e também na conscientização da população.

Um exemplo muito conhecido no país é o projeto Tamar, que atua na conservação de espécies de tartarugas marinhas ameaçadas de extinção no litoral brasileiro.

O biólogo marinho que atua nesse projeto contribui para a preservação desses animais e para a conservação dos ambientes marinhos e costeiros. Esse profissional também atua na conscientização das pessoas e na busca pelo desenvolvimento sustentável da comunidade, uma vez que a principal causa da extinção das tartarugas marinhas é a atividade humana, como caça dos animais e ovos.

Outras possibilidades são trabalhar em aquários e em outras instituições que tenham animais marinhos em cativeiro. O mercado do ecoturismo tem crescido nos últimos anos e também necessita dos serviços desse especialista. Empresas de mergulho em ambiente marinho e visita a ilhas, por exemplo, são boas oportunidades.

Por fim, uma das áreas de atuação do biólogo marinho é ministrar aulas no ensino médio e superior. Para lecionar no ensino médio, pela legislação vigente, o profissional deve ter feito licenciatura em ciências biológicas. Para trabalhar no ensino superior de instituições públicas e privadas é exigido, no mínimo, formação em mestrado.

mergulhador

Perfil do biólogo marinho

O perfil esperado do biólogo marinho pode variar bastante em função da área de atuação. Por exemplo, áreas que exijam viagens constantes ou longos períodos em alto-mar necessitam de um profissional que não seja apegado com rotina e que goste de trabalhar em ambiente natural.

Por outro lado, a docência em instituições de ensino ou pesquisas em laboratórios exigem um profissional que lide bem com rotinas e com trabalhos em ambientes fechados.

Independentemente do serviço ter ou não uma rotina definida, o biólogo marinho deve gostar de estudar. A ciência está sempre descobrindo conhecimentos sobre a vida marinha e, por isso, é importante que o profissional esteja em constante atualização e estudo.

No trabalho como biólogo marinho, o profissional deve ter conhecimentos sólidos sobre a flora e fauna aquática e também sobre fatores como salinidade, acidez do meio (ph) pressão, temperatura, iluminação, movimento de marés e outros fatores que influenciam na vida marinha.

Além dos conhecimentos teóricos e práticos sobre a biologia marinha, algumas outras habilidades podem ser desejadas para a profissão, como ter habilidade de mergulho. Nas pesquisas em universidades, saber mergulhar pode ser uma habilidade útil e que ajuda no desenvolvimento de projetos.

Mercado de trabalho

O mercado de trabalho para o biólogo marinho está em crescimento nos últimos tempos, em função da maior preocupação com as questões ambientais. O profissional dessa área pode trabalhar em empresas privadas ou públicas, por exemplo, ajudando a cumprir a legislação ambiental do país, emitindo laudos e relatórios. O trabalho dele deve garantir a devida conservação dos ambientes marinhos e costeiros.

É comum também os biólogos marinhos atuarem em pesquisas ambientais e projetos que buscam entender mais sobre os ecossistemas marinhos e contribuir para a sua conservação.

O principal mercado de trabalho para o biólogo marinho é em cidades litorâneas. No entanto, é possível trabalhar em cidades não-litorâneas atuando em pesquisas de laboratório ou na docência, no ensino médio ou superior.

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